Então você quer escrever um blog de ciência

Por Atila Iamarino, do Rainha Vermelha

Taí, depois de um comentário recente de uma companheira de departamento que se empolgou e criou um blog de divulgação científica, me dei conta do óbvio. Não conheço nenhum post discutindo como criar e manter um blog de ciência. Ocasião perfeita para eu dar meus palpites sem falar muita besteira, já que sou o primeiro.

Antes de tudo, tenho que avisar que existem blogueiros bem mais experientes do que eu. Muita gente já escrevia blog em 2004 ou antes, e entre os blogs de ciência, os que leio há mais tempo (e não necessariamente quer dizer que são mais antigos) são o Glúono 100nexos e o Ciência em Dia. Ou seja, se quiserem saber sobre a Idade Média da blogosfera, falem com os blogueiros sêniors.
Escrevo desde 2007, quando comecei o extinto Transferência Horizontal, que já começou errado, com uma piada interna de biólogo e um domínio que quase ninguém ia (http://transferenciahorizontal.blogspot.com/). Cerca de seis meses depois, mudei o nome e endereço do blog para Rainha de Copas (o endereço agora aponta para cá), e em mais uma esperteza da minha parte confundi o personagem de Lewis Carrol. Por fim, em agosto de 2008 (será que faz tanto tempo assim?) criamos o Lablogatórios, que se tornou ScienceBlogs, e mudei o nome para o personagem certo, Rainha Vermelha.
Mas acho que já escrevi o suficiente para poder dar algumas dicas, e a experiência de criar o Lablogatórios com o Carlos e ter os vizinhos fantásticos do ScienceBlogs com certeza ajudam. Então, aqui vão algumas dicas, desde para quem quer criar um blog até quem já escreve regularmente:

Como criar, onde criar?

Recomendo primeiramente que você dê uma olhada no Bê-a-Blog, um tutorial criado pela Nospheratt sobre os primeiros passos de um blog. Aproveite e dê uma boa lida no Blosque, são várias dicas muito boas. Ali você vai saber sobre os primeiros passos para criar um blog e começar a escrever.
Há dois grandes serviços de hospedagem grátis de blogs que são um ótimo ponto para começar, o Blogger e o WordPress. Até 2008, época em que ainda usava a plataforma blogspot, o Blogger era o mais fácil de usar dos dois, e imagino que ainda seja. Ele é bastante intuitivo e simples. Justamente por isso acho o WordPress uma ferramenta melhor. Não por ser mais complicado, mas por possuir bem mais recursos do que o Blogger. Como o WordPress disponibiliza sua plataforma para sites hospedados por conta própria, há um mundo de plugins, complementos e ferramentas capazes de interagir com ele muito maior do que com qualquer outra plataforma. Dá para fazer de tudo em WordPress. Além de ser bem mais fácil para migrar seu blog para uma hospedagem própria depois.

Já a hospedagem própria traz algumas vantagens que podem compensar o preço e trabalho. A primeira é o domínio próprio, podendo escolher entre .org, .com, .com.br, .net e outros é mais fácil de achar um bom endereço para o blog. ‒ se não me engano, blogs no wordpress.com podem usar domínios próprios.

Não que você vá se importar de ter um blog qualquernome.blogspot.com se ele for seu hobby, mas qualquer mudança de plataforma (como as três que fiz) vai causar perda de visitas e os links de antes. Com domínio próprio, basta configurar um redirecionamento. E para sites pequenos, com menos de mil visitas únicas diárias, há varios planos baratos em hospedagens como DreamhostGodaddy por menos de 10 dólares mensais (no caso do Godaddy, menos de 10 reais).

Uma instalação própria do WordPress permite uma personalização do blog muito maior, e dá espaço para usar as boas ferramentas que ele tem. Um bom passo para quem quer ter um site mais profissional.

Grandes provedores sempre oferecem instalação de Worpress automática, sem precisar acessar o servidor e tudo mais, e em alguns casos dão até o domínio .com ou .org grátis. É uma hospedagem compartilhada, não segura muitos acessos ao mesmo tempo (embora alguns plugins possam ajudar), mas resolve bem para quem está começando.


O que escrever?

Longe de querer ditar regras, mas aqui vai um conselho óbvio: Escreva sobre o que você entende.

E não só para não escrever besteira, mas sim para acrescentar algo e tornar seus posts diferentes de outros sobre o mesmo tema. Aqui no Rainha Vermelha pelo menos, percebi que os textos sobre temas que não domino foram os mais fracos, e dificilmente consigo dar uma opinião ou contribuir com algo além dos fatos. Olhando os primeiros posts, fica bem nítido que o blog saiu de algo mais generalista para posts mais voltados para parasitas e evolução.

Não simplesmente traduza notícias ou copie e cole aquelas em língua portuguesa. A não ser que você tenha tempo de ler milhares de fontes (vai tentar ler o EurekAlert como o João), o que permite escolher textos realmente interessantes. Caso contrário, vale o que falei no parágrafo de cima, pelo menos comente as notícias, dê um contexto que as torne relevantes ou mesmo um contraponto. Notícia por notícia, é mais fácil mandar um link no Twitter.

Como escrever?

Procuro sempre colocar algum recurso que diferencie o post de uma coluna de jornal clicável. Links, vídeos e no mínimo uma figura por post sempre caem bem. Isso é universal, independe do tema do blog. Ah, e sempre prestanto atenção se a imagem possui licença [valeu Carla!!] de uso, ou se o dono consente.

O estilo de escrita, vai depender muito do tipo de visitante que você quer atrair. Meu foco é em pessoas já instruídas, não explico extensivamente cada conceito nos meus posts. E, claro, isso também varia de post para post.

Quanto ao como escrever, sinceramente não sou a pessoa mais indicada. Sou bastante improdutivo, como dá para perceber pela ausência periódica de posts, e sempre que a pós-graduação demanda mais atenção o blog sai prejudicado. Não que eu ache isso um problema, mas quero dizer que não sei nenhuma técnica de “escreva em 5 minutos” ou “produza 3 posts por dia sem cansar”.

Meu processo de criação de posts é fermentativo, de metabolismo lento. Geralmente vou acumulando idéias e artigos sobre o tema, e quando ele cresce o suficiente, escrevo e publico. Alguns acabam azedando e não saem do rascunho.

Também há ferramentas que ajudam sim na parte técnica. Por recomendação do Kentaro conheci o Live Writer para Windows que dá uma ótima contornada no rolo que é o Movable Type, plataforma que usamos. Há vários outros, como o Scribefire, que por ser um plugin de navegador de web independe de sistema operacional.

Outra coisa que me ajudava muito quando eu ainda usava o Firefox é o Zotero, uma ferramenta muito boa para organizar fontes para posts, como imagens e artigos.

texto by Rainha Vermelha: http://scienceblogs.com.br/rainha/

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  1. Quero dar meus parabéns aos blogueiros que aqui escrevem pelo excelente trabalho e ajuda aos demais que escolheram esta forma de se expressar.
    Quero também deixar meu endereço criado com esta ajuda:
    http://catandoalgas.blogspot.com

    José Antonio Muniz

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